Alta nos lançamentos e nas vendas reflete demanda aquecida por moradia e resiliência do setor, apesar do cenário econômico restritivo
O mercado imobiliário no Brasil fechou 2025 com números históricos, registrando recordes tanto em lançamentos quanto em vendas de unidades residenciais, mesmo em um cenário de crédito mais caro e juros elevados. Os dados foram divulgados em 23 de fevereiro pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio da pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais, que acompanha a atividade imobiliária em mais de 200 municípios do país.
Segundo o levantamento, foram lançadas 453.005 unidades residenciais ao longo do ano, um crescimento de aproximadamente 10,6% em relação a 2024. Já as vendas totalizaram 426.260 imóveis, alta de 5,4% frente ao ano anterior, ambos números no maior nível anual registrado na série histórica.
Em termos financeiros, o valor geral de lançamentos (VGL) atingiu cerca de R$ 292,3 bilhões, e o valor geral de vendas (VGV) alcançou R$ 264,2 bilhões, indicadores que também superaram os patamares anteriores, refletindo a robustez do setor perante condições econômicas exigentes.
Papel central do Minha Casa Minha Vida
Um dos principais fatores por trás desse desempenho foi o Minha Casa Minha Vida (MCMV), programa habitacional que, em 2025, respondeu por mais da metade dos lançamentos e das vendas no mercado imobiliário nacional. Só no quarto trimestre, o MCMV representou cerca de 52% dos lançamentos e 49% das vendas, consolidando-se como um dos pilares do setor.
No total do ano, o programa lançou 224.842 unidades e vendeu 196.876 imóveis, com altas de dois dígitos em relação a 2024, segundo a CBIC. Esse desempenho foi ainda mais relevante diante da taxa básica de juros elevada (Selic em cerca de 15% ao ano), que normalmente restringe a capacidade de financiamento de famílias e incorporadoras.
Fatores que sustentaram o crescimento
Especialistas e dados setoriais apontam que, apesar de juros altos, a demanda por moradia se manteve firme em 2025, impulsionada tanto por subsídios habitacionais quanto pelo interesse de consumidores em sair do aluguel ou ampliar o espaço domiciliar. Segundo o levantamento da CBIC, metade dos entrevistados declarou intenção de comprar um imóvel nos próximos dois anos, especialmente apartamentos.
Além disso, outros indicadores do mercado imobiliário corroboram essa tendência. Por exemplo, o índice que mede preços residenciais no Brasil tem registrado crescimento moderado acima da inflação em 2025, mostrando resiliência no valor dos imóveis mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador.
Perspectivas para 2026
Com a perspectiva de queda na Selic e melhora das condições de crédito, muitos analistas do setor acreditam que 2026 pode repetir ou até superar o desempenho de 2025. A meta do governo de contratar 3 milhões de unidades do Minha Casa Minha Vida até o fim de 2026 também reforça expectativas de continuidade no ritmo elevado de lançamentos e vendas.
Enquanto isso, os números de oferta e estoque também cresceram: o estoque de imóveis disponíveis para venda subiu cerca de 8% ao fim de 2025, fechando o ano com mais de 347 mil unidades no mercado.